Como escolher uma empresa para desenvolver o seu website
Já passou por isto: precisa de um site, pede orçamentos a três empresas diferentes, e recebe três valores completamente distintos. Um diz 300 ?, outro diz 1.500 ?, outro diz 3.000 ?. Todos prometem o mesmo resultado. Todos dizem que são os melhores.
Como é que se escolhe?
Esta é uma das decisões mais complicadas para quem não é da área. O mercado de desenvolvimento web em Portugal é um campo minado. Há profissionais excelentes, mas também há muitos que vendem gato por lebre. E para quem não percebe de código, é difícil distinguir uns dos outros.
Neste artigo, vou dar-lhe as ferramentas para fazer essa distinção. Não vou dizer-lhe quem escolher ? mas vou ensinar-lhe as perguntas certas a fazer e os sinais de alerta a que deve estar atento.
O problema de não perceber de tecnologia
Se contrata um canalizador, sabe mais ou menos o que esperar. Ele diz-lhe o que está mal, explica o que vai fazer, dá-lhe um preço. Se o trabalho ficar mal feito, vê-se logo ? o cano continua a pingar.
Com um site é diferente. O código não se vê. O que está por detrás do ecrã é invisível para a maioria das pessoas. E um site que parece bonito por fora pode ser um desastre por dentro ? lento, inseguro, impossível de manter.
Isto cria uma assimetria de informação enorme. Quem vende sabe se o trabalho é bom ou mau. Quem compra, muitas vezes, não sabe.
É por isso que há profissionais a vender sites WordPress com temas de 50 ? por 1.500 ?. E outros a fazer sites personalizados, rápidos e seguros, pelo mesmo preço. O cliente olha para os dois e vê "sites". Mas um vale o dinheiro e o outro não.
A diferença está nos detalhes que só se notam com o tempo: a velocidade, a segurança, a facilidade de manutenção, o aparecer ou não no Google.
Os critérios que deve avaliar
Vamos ao que interessa. Quando estiver a avaliar um profissional ou empresa para fazer o seu site, use estes critérios.
1. Peça para ver o Lighthouse
O Lighthouse é uma ferramenta gratuita do Google que mede a qualidade de um site em quatro áreas: Performance, Acessibilidade, Boas Práticas e SEO.
A pontuação vai de 0 a 100. E é um dos melhores indicadores da qualidade técnica de um site.
Se um profissional lhe mostra sites anteriores com Lighthouse abaixo de 90 em mobile, desconfie. Se está abaixo de 70, fuja. Um bom profissional entrega sites com Lighthouse 95+.
Isto não é um extra ? é o mínimo. Performance, acessibilidade e SEO não são opcionais. São requisitos básicos de qualquer site profissional em 2026.
Peça para ver o relatório Lighthouse de sites que já fez. Se ele não souber o que é o Lighthouse, ou se nunca testou os sites que fez, é um sinal de alerta enorme.
2. Pergunte sobre segurança
Segurança não é um assunto excitante, mas é crítico. Pergunte:
Um bom profissional responde a estas perguntas com naturalidade. Um profissional menos bom vai desviar o assunto ou dizer que "não é preciso preocupação".
Em 2026, com o aumento dos ciberataques a pequenas empresas, a segurança não é um luxo. O RGPD exige que proteja os dados dos seus clientes. E se o seu site for atacado e os dados forem comprometidos, a responsabilidade é sua.
3. WordPress ou código personalizado?
Esta pergunta é das mais reveladoras. Se o profissional diz que usa WordPress, não é automaticamente mau ? mas merece perguntas adicionais.
Se o profissional usa sites personalizados (feitos de raiz), geralmente tem mais controlo sobre qualidade, segurança e performance. Mas também é mais caro.
O importante é que a resposta seja honesta e fundamentada. Não quer alguém que usa WordPress porque "é o que sabe fazer" ? quer alguém que escolhe a ferramenta certa para o seu projeto.
4. Veja o portefólio com olhos críticos
Não se limite a olhar para o design. Teste os sites:
Um site bonito não é necessariamente um site bom. Há sites visualmente deslumbrantes que são terríveis na prática ? lentos, confusos, inacessíveis.
Teste também a velocidade no PageSpeed Insights. Se os sites do portefólio forem lentos, o seu também será.
5. Perceba o processo de trabalho
Um bom profissional não começa a programar no dia seguinte. Há um processo:
Se o profissional salta diretamente para "qual é a cor do site?" sem perceber o seu negócio, está a comprar um template, não um site feito à medida.
Faça perguntas sobre o processo: Como vamos comunicar? Quantas revisões estão incluídas? O que acontece se eu não gostar de algo? Como é feita a entrega?
6. Pergunte sobre o suporte pós-lançamento
Um site não é um projeto que se entrega e acaba. Precisa de manutenção: atualizações de segurança, backups, monitorização, correções.
Alguns profissionais incluem suporte no preço. Outros cobram à parte. Outros simplesmente desaparecem depois de receber.
Pergunte: O que está incluído depois do site ficar no ar? Durante quanto tempo? O que acontece se houver um problema daqui a 3 meses? E daqui a 1 ano?
Um profissional sério tem uma resposta clara para estas perguntas.
7. Avalie a comunicação
Este critério é subjetivo, mas importantíssimo.
O profissional explica os conceitos técnicos de forma que percebe? Ou usa jargão para se sentir superior?
Responde às suas mensagens em tempo útil? Ou desaparece durante dias?
Mostra interesse genuíno no seu projeto? Ou parece estar a fazer mais um para pagar as contas?
A comunicação é muitas vezes o que distingue uma experiência positiva de uma negativa. Se o profissional é difícil de comunicar durante o processo de venda, imagine durante o desenvolvimento.
Os sinais de alerta (red flags)
Alguns sinais devem fazê-lo desconfiar imediatamente:
? "Fazemos sites por 200 ?." ? A este preço, ou é um template automático ou o trabalho é tão mau que vai ter de refazer tudo em breve.
? "Temos o melhor construtor de sites." ? Construtores de sites (Wix, Squarespace, etc.) são limitados. Um profissional a sério não usa construtores.
? "WordPress é o melhor do mundo." ? WordPress é uma ferramenta, não uma religião. Quem o defende cegamente provavelmente não sabe fazer mais nada.
? "Não precisa de se preocupar com segurança." ? Precisa sim. Quem lhe diz o contrário está a esconder a falta de conhecimentos.
? "O SEO é garantido." ? Ninguém garante posições no Google. Quem promete isso está a mentir.
? "O site fica pronto amanhã." ? Sites de qualidade demoram tempo. Se prometem prazos muito curtos, é porque estão a cortar esquinas.
Quanto deve gastar?
Esta é a pergunta de um milhão de euros. E a resposta honesta é: depende do que precisa.
Uma landing page simples, bem feita, com código limpo e performance otimizada, custa entre 250 ? e 500 ?.
Um site institucional com 3 a 5 páginas, blog, formulários e SEO, custa entre 1.000 ? e 2.000 ?.
Um projeto mais complexo, com funcionalidades específicas, área de cliente, integrações, pode ir de 2.000 ? a 5.000 ? ou mais.
Se alguém lhe cobra 200 ? por um site completo, está a comprar um problema. Pode parecer barato hoje, mas vai pagar mais caro amanhã em refações e clientes perdidos.
Por outro lado, o mais caro nem sempre é o melhor. Há profissionais que cobram muito e entregam pouco. Por isso é que os critérios acima são importantes ? não se guie só pelo preço.
O que esperar de um bom profissional
Um bom profissional de desenvolvimento web:
Se encontrar alguém assim, não olhe ao preço. Invista. Porque um bom site não é uma despesa ? é um ativo que vai gerar retorno durante anos.
Conclusão
Escolher a pessoa ou empresa certa para fazer o seu site não é fácil. O mercado é opaco, os preços variam muito, e a qualidade é difícil de avaliar à partida.
Mas com as ferramentas certas ? Lighthouse, perguntas sobre segurança, processo de trabalho e portefólio ? consegue fazer uma escolha informada.
Não se deixe enganar por preços demasiado baixos ou promessas exageradas. Um bom site é um investimento, não uma despesa. E como qualquer investimento, merece ser estudado com cuidado.
E lembre-se: o barato sai caro. Um site de 200 ? que não aparece no Google, é lento e inseguro, vai custar-lhe muito mais em clientes perdidos do que os 1.000 ? que poupou.
Invista bem. O seu negócio agradece.
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